23.8.06

Revelação

A notícia chega
o emissário sai
a dor se aconchega
o músculo se contrai

Trêmulo, estico meu braço
trepida algo em meu peito
descubro na ferida um inchaço
é esse algo que não aceito

Passo os dias me lembrando
de que devo esquecer
me pego por vezes chorando
mas não me faço perceber

Sinto a fisgada
no membro antes meu
em seu lugar, a fachada
da paz que antecedeu

A memória é um espaço
onde flutuo sem destino
e encontro sempre as saudades
que guardo desde menino.

18/08/2006

7.8.06

Restos do que não foi

Você, novamente...
me solta
esqueça de mim
Leve essa mágoa embora

Já sofri
penei por ti
disfarcei minha dor

Agora fico assim
partida em mil
catando no vazio
os restos de um amor sem fim

Não há como reconciliar
sem horizonte qualquer
sem um bem-me-quer
os dois lados que me fiz criar

Um sonhador
outro, trabalhador
partes desconexas
que me disputam sem cessar

Sonhar já não ouso
trabalhar, não me atrevo
pois dói demais
o órgão que me falta

(Para minha amiga de amargura interna causada pela vileza alheia, mesmo que inconscientemente impetrada - 07/08/2006).

Angústia

Angústia é mistério
Fosse clara, seria remédio
fosse escura, um assédio
Se opaca, sem critério

Mas não...
é capricho,
despautério

Não sai
nem submerge
fica ali
à flor da pele

É um assédio sem critério
um remédio para um mistério:
o desconhecido desequilíbrio
na mente que se ressente

07/08/2006