A vida é cheia de amargor
sumamente inquestionável
sempre correta na dor
tripudia, implacável
No transcorrer diário
no vaivém dos medos
as ameaças ensaiam
a ubiquidade do receio
A condição humana se traja
com dualidade alternante,
o bem e o mal embaralha:
faz-se a confusão ultrajante
O coração se estica
com carência infame
da palavra amiga
que se vai distante
Pode ser um sorriso,
uma mão no ombro,
um conselho amigo,
ou o dividir de um sonho
Ser doce não é ser fraco
tampouco é covardia
é o frouxo nó do laço
que nos une em alegria
Doçura com verdade
corrige nossas mentiras
e repara a insinceridade
que sempre nos castiga
É ser a poesia em ato
(qual descanso na loucura)
é fazer do amor um retrato
no instante breve da ternura
E se a vontade um dia bater,
em meio às urgências da raiva,
de entregar-se ao maldizer
para que a angústia se distraia
Ajoelhe-se com toda a calma,
e suplique ao céus com intenção
que do lodaçal que vai na alma
brote a rosa doce da inspiração
Doçura gera gentileza
que alimenta a paz...
transforma a vida inteira
na água que satisfaz.
Conúbio Poético
Pacatos poemas de quem sente mais do que entende. Coloco aqui aquelas expressões mais espontâneas da minha relação com o mundo. Os poemas são péssimos, eu bem o sei! Mas quem sabe não haja algum que lhe fale algo? Não tenha expectativas: não há lugar para isso nesse ambiente. Leia, simplesmente. Se não houver sentido é porque você está no caminho certo. Siga em frente... a vida nos aguarda.
14.8.17
19.7.17
Coração Partido
Quando se deixa,
pela alma, suspirar
o arfante desejo
de amar
há que se atrever
a não trucidar
o inviolável apego
Ao se sonhar
com coração partido
não há pior alarido
que a dor
de se acordar
Escorre por entre os dedos
... suplicante...
a esperança do ensejo
que se foi, assim,
num instante
Aprisionado
no faz-de-conta
(de versos amantes)
que amedronta...
em bailado inconstante
e improvisado
Segue a vida
para um novo amor...
pulsação itinerante,
bandida, ferida,
destemido vigor
... que jamais se desencante.
pela alma, suspirar
o arfante desejo
de amar
há que se atrever
a não trucidar
o inviolável apego
Ao se sonhar
com coração partido
não há pior alarido
que a dor
de se acordar
Escorre por entre os dedos
... suplicante...
a esperança do ensejo
que se foi, assim,
num instante
Aprisionado
no faz-de-conta
(de versos amantes)
que amedronta...
em bailado inconstante
e improvisado
Segue a vida
para um novo amor...
pulsação itinerante,
bandida, ferida,
destemido vigor
... que jamais se desencante.
17.3.14
Livre
Sinto a vida se espalhar
Vejo com clareza
Mas não consigo enxergar...
Tibieza
Por todos os lados,
Há tanta incompreensão
Xingamentos disfarçados...
De razão
Minha mente não dá conta
Sinto escorregar pelos dedos
a certeza que me aprisiona...
é meu enredo
Cárcere é um poder
Invertido em negação
Um obstruído querer...
É exclusão
Ao pensar na liberdade
Desato meu desejo
E o ancoro na vontade...
Eis o meu ensejo
Fazer o que se quer
Porque se pode
Torna livre até
Quem escolhe
Não saber querer
Por não se conseguir
Enjaula qualquer ser
Em imutável devir
Liberto
o incerto
Aperto
o trajeto
Sigo reto
Insurreto
E supero,
austero
Livre sou
Sei que quero
Aqui estou
Assim espero
24.6.10
Com apreço, sem vício
Para Cinthia
Do ar copias a leveza,
o fluir das grandes promessas
sem pressão, dispersas
na amplidão da eternidade
Com o pisante avariado
angarias mais suporte
na alegria de ser forte
e na desculpa franca do atraso
Os estreitos limites humanos
presos em ambições circulares
parecem desvanecer, pendulares
no sossego, por vezes, insano.
Em meio ao torpor dos sábados matinais
portas sempre um sorriso alvissareiro,
e, por sob as marcas do travesseiro,
a simpatia de quem está em paz
Se verdadeiro ou fictício,
aparência ou essência,
deslindo estes versos em bem-querência,
com apreço, e sem vício.
São Paulo, 24 de junho de 2010.
Do ar copias a leveza,
o fluir das grandes promessas
sem pressão, dispersas
na amplidão da eternidade
Com o pisante avariado
angarias mais suporte
na alegria de ser forte
e na desculpa franca do atraso
Os estreitos limites humanos
presos em ambições circulares
parecem desvanecer, pendulares
no sossego, por vezes, insano.
Em meio ao torpor dos sábados matinais
portas sempre um sorriso alvissareiro,
e, por sob as marcas do travesseiro,
a simpatia de quem está em paz
Se verdadeiro ou fictício,
aparência ou essência,
deslindo estes versos em bem-querência,
com apreço, e sem vício.
São Paulo, 24 de junho de 2010.
6.10.09
Cativeiro da Beleza
Agradas ao mundo com teu sorriso
(inigualável por natureza...)
invades a poesia,
sensualizando as rimas
removes as barreiras,
convidando a gentileza.
És a docilidade em mais suave textura...
da tua pele emanam frescores perfumados
que vão difusos em direção a todos,
envolvendo a beleza no cativeiro de teus traços.
Os amores do passado,
sejam recentes ou remotos
desbotam na palidez de uma lembrança
a se dissolver nas cores do teu encantamento.
Ao pisares, fitando-me os olhos vidrados
sinto um tremor na fibra última d´alma,
e contraio um disfarce que acalma,
entregando-me inteiro, de coração revelado.
Quando retornas, adentrando a sala vazia
recebo o apelo encaminhado aos escaninhos divinos...
Ao dissimulares um interesse afim
me esbaldo no regozijo de tua presença,
sorvendo em longos haustos
cada centímetro que nos separa...
e, em fantasia, anulo a parede infame
das diferenças que nos afastam.
O dia avança com minha mente em dissidência,
pois, em meus braços viceja espaçoso
o estranho vazio da tua ausência.
(inigualável por natureza...)
invades a poesia,
sensualizando as rimas
removes as barreiras,
convidando a gentileza.
És a docilidade em mais suave textura...
da tua pele emanam frescores perfumados
que vão difusos em direção a todos,
envolvendo a beleza no cativeiro de teus traços.
Os amores do passado,
sejam recentes ou remotos
desbotam na palidez de uma lembrança
a se dissolver nas cores do teu encantamento.
Ao pisares, fitando-me os olhos vidrados
sinto um tremor na fibra última d´alma,
e contraio um disfarce que acalma,
entregando-me inteiro, de coração revelado.
Quando retornas, adentrando a sala vazia
recebo o apelo encaminhado aos escaninhos divinos...
Ao dissimulares um interesse afim
me esbaldo no regozijo de tua presença,
sorvendo em longos haustos
cada centímetro que nos separa...
e, em fantasia, anulo a parede infame
das diferenças que nos afastam.
O dia avança com minha mente em dissidência,
pois, em meus braços viceja espaçoso
o estranho vazio da tua ausência.
22.1.09
Poema do Amor Torto
Meu desespero em amar-te é tragédia...
quero ter-te a cada momento,
és o ar que respiro
a água que sacia minha sede:
uma secura de amar que viestes a aliviar.
Dentro do sonoro retumbar do meu peito
descubro em ti a carícia plena das promessas
a me realçar os limites incertos do porvir
Deixo-me levar, sem contingências estratégicas,
pelo perfume adocicado de tua presença,
garimpo cada segundo, à procura de ti:
na esquina do tempo, paro absorto
para admirar-te, assim como és, perfeita
(corruptela divina da humanidade defeituosa)
em teus trejeitos e deslizes adultamente pueris
Na devassa das emoções guardadas,
qual caixa de pandora do amor,
liberastes o afeto represado
por detrás das paredes da desilusão,
que transbordou incauto, impulsivo,
do leito sereno da prudência calculada
Em teu amor não posso resguardar-me
preciso sorvê-lo a goles largos
e, mesmo que me engasgue
és fonte infinda donde jorra
a impávida magia de Vênus,
a banhar os corações aflitos,
a enfeitiçar os medrosos,
a encabular os poetas extrovertidos,
a cingir de paixão o terreno da razão.
Meu amor, tanto és assim,
tanto me fazes amar-te,
que meu coração bate, incoerente,
na cadência de teus passos
estejam eles a partir ou a voltar
Trafegando por entre espinhos,
revelo-me um menino ainda frágil
desconcertado face à tua grandeza,
orientado pela ponta dos seus dedos
que, cegamente, me conduzem
num vaivém sem final
entre o amor torto e o amor total.
São Paulo, 21/01/2009
quero ter-te a cada momento,
és o ar que respiro
a água que sacia minha sede:
uma secura de amar que viestes a aliviar.
Dentro do sonoro retumbar do meu peito
descubro em ti a carícia plena das promessas
a me realçar os limites incertos do porvir
Deixo-me levar, sem contingências estratégicas,
pelo perfume adocicado de tua presença,
garimpo cada segundo, à procura de ti:
na esquina do tempo, paro absorto
para admirar-te, assim como és, perfeita
(corruptela divina da humanidade defeituosa)
em teus trejeitos e deslizes adultamente pueris
Na devassa das emoções guardadas,
qual caixa de pandora do amor,
liberastes o afeto represado
por detrás das paredes da desilusão,
que transbordou incauto, impulsivo,
do leito sereno da prudência calculada
Em teu amor não posso resguardar-me
preciso sorvê-lo a goles largos
e, mesmo que me engasgue
és fonte infinda donde jorra
a impávida magia de Vênus,
a banhar os corações aflitos,
a enfeitiçar os medrosos,
a encabular os poetas extrovertidos,
a cingir de paixão o terreno da razão.
Meu amor, tanto és assim,
tanto me fazes amar-te,
que meu coração bate, incoerente,
na cadência de teus passos
estejam eles a partir ou a voltar
Trafegando por entre espinhos,
revelo-me um menino ainda frágil
desconcertado face à tua grandeza,
orientado pela ponta dos seus dedos
que, cegamente, me conduzem
num vaivém sem final
entre o amor torto e o amor total.
São Paulo, 21/01/2009
23.7.08
Bolinha de algodão...
Eu queria ter o dom
de uma bolinha de algodão...
... afagar, cuidar, curar
seu desapegado coração
Esse versinho fora de hora
vem de fora;
do ar, do céu, do som
da minha alma a pensar
Alma um pouco cansada
querendo cantar, dançar, amar
Aprendendo a viver
ao te olhar
Olhar intenso
iluminado
misterioso
irresistível
Poesia de um andante
que andou bastante
Que viu num oásis
algo incrível
O brilho, o amanhecer,
o sangue se aquecer
A pele pedindo seu vento,
seu gosto
seu sentimento
E assim vai o andante
querendo ser leve como a brisa,
suando a camisa
para ir além do pesamento,
da sensação, da canção....
Pedindo a Deus
uma bolinha de algodão...
(Poesia de minha amiga Sabrina, no ocaso de si própria, atuando como o leito de um rio, que é invadido por águas caudalosas de sentimentos aviltados, transbordando em direção ao mar sem fim).
de uma bolinha de algodão...
... afagar, cuidar, curar
seu desapegado coração
Esse versinho fora de hora
vem de fora;
do ar, do céu, do som
da minha alma a pensar
Alma um pouco cansada
querendo cantar, dançar, amar
Aprendendo a viver
ao te olhar
Olhar intenso
iluminado
misterioso
irresistível
Poesia de um andante
que andou bastante
Que viu num oásis
algo incrível
O brilho, o amanhecer,
o sangue se aquecer
A pele pedindo seu vento,
seu gosto
seu sentimento
E assim vai o andante
querendo ser leve como a brisa,
suando a camisa
para ir além do pesamento,
da sensação, da canção....
Pedindo a Deus
uma bolinha de algodão...
(Poesia de minha amiga Sabrina, no ocaso de si própria, atuando como o leito de um rio, que é invadido por águas caudalosas de sentimentos aviltados, transbordando em direção ao mar sem fim).
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