14.8.17

Doçura

A vida é cheia de amargor
sumamente inquestionável
sempre correta na dor
tripudia, implacável

No transcorrer diário
no vaivém dos medos
as ameaças ensaiam
a ubiquidade do receio

A condição humana se traja
com dualidade alternante,
o bem e o mal embaralha:
faz-se a confusão ultrajante

O coração se estica
com carência infame
da palavra amiga
que se vai distante

Pode ser um sorriso,
uma mão no ombro,
um conselho amigo,
ou o dividir de um sonho

Ser doce não é ser fraco
tampouco é covardia
é o frouxo nó do laço
que nos une em alegria

Doçura com verdade
corrige nossas mentiras
e repara a insinceridade
que sempre nos castiga

É ser a poesia em ato
(qual descanso na loucura)
é fazer do amor um retrato
no instante breve da ternura

E se a vontade um dia bater,
em meio às urgências da raiva,
de entregar-se ao maldizer
para que a angústia se distraia

Ajoelhe-se com toda a calma,
e suplique ao céus com intenção
que do lodaçal que vai na alma
brote a rosa doce da inspiração

Doçura gera gentileza
que alimenta a paz...
transforma a vida inteira
na água que satisfaz.




19.7.17

Coração Partido

Quando se deixa,
pela alma, suspirar
o arfante desejo
de amar
há que se atrever
a não trucidar
o inviolável apego

Ao se sonhar
com coração partido
não há pior alarido
que a dor
de se acordar

Escorre por entre os dedos
... suplicante...
a esperança do ensejo
que se foi, assim,
num instante

Aprisionado
no faz-de-conta
(de versos amantes)
que amedronta...
em bailado inconstante
e improvisado

Segue a vida
para um novo amor...
pulsação itinerante,
bandida, ferida,
destemido vigor
... que jamais se desencante.