13.11.06

O rio e o olhar

De que vale o passado?
Para a dor e a angústia?
Para ver a repetição que assusta?
Ou a chance de romper, desastrado
a série de desalentos nesfastos?

Saber-se nessa correnteza
Que lhe priva do sabor do arbítrio
é reflexo da alma em franqueza
e do absoluto respeito por si próprio

A esteira não é metáfora da vida
pois que prende e repreende
a liberdade de mudar
num chão de pontas ligadas
em desempenho circular

Não! A vida é um rio
em eterno movimento
uma abundante transformação
num segundo secular
para a melhoria do olhar

(13/11/2006 - para minha amiga que não percebeu que o círculo já se rompeu, foi só o "olhar" que permaneceu inalterado).

6.11.06

Olhos dourados

Seus olhos dourados e sãos
penetram o plasma fecundo
do meu coração

Ensinam-me a amar
um amor singelo
sem preocupação

Vêm a mim pela sua mão
a paz e a intenção
num toque de perplexidade

frente ao sentimento infindo
que não disfarça sorrindo
sua tímida sinceridade.

(A essas pessoas iluminadas - 05/11/2006).