Meu desespero em amar-te é tragédia...
quero ter-te a cada momento,
és o ar que respiro
a água que sacia minha sede:
uma secura de amar que viestes a aliviar.
Dentro do sonoro retumbar do meu peito
descubro em ti a carícia plena das promessas
a me realçar os limites incertos do porvir
Deixo-me levar, sem contingências estratégicas,
pelo perfume adocicado de tua presença,
garimpo cada segundo, à procura de ti:
na esquina do tempo, paro absorto
para admirar-te, assim como és, perfeita
(corruptela divina da humanidade defeituosa)
em teus trejeitos e deslizes adultamente pueris
Na devassa das emoções guardadas,
qual caixa de pandora do amor,
liberastes o afeto represado
por detrás das paredes da desilusão,
que transbordou incauto, impulsivo,
do leito sereno da prudência calculada
Em teu amor não posso resguardar-me
preciso sorvê-lo a goles largos
e, mesmo que me engasgue
és fonte infinda donde jorra
a impávida magia de Vênus,
a banhar os corações aflitos,
a enfeitiçar os medrosos,
a encabular os poetas extrovertidos,
a cingir de paixão o terreno da razão.
Meu amor, tanto és assim,
tanto me fazes amar-te,
que meu coração bate, incoerente,
na cadência de teus passos
estejam eles a partir ou a voltar
Trafegando por entre espinhos,
revelo-me um menino ainda frágil
desconcertado face à tua grandeza,
orientado pela ponta dos seus dedos
que, cegamente, me conduzem
num vaivém sem final
entre o amor torto e o amor total.
São Paulo, 21/01/2009