23.4.07

A Semeadora de Luz

Semeia, amiga
Semeia
joga ao vento
o amor que te norteia

Semeia, amiga
Semeia
faze do mundo
o seu rosal
de flores brancas...
Semeia

Semeia, amiga
Semeia
escolhe o chão
asperge a vida
que carregas
nas mãos

Semeia, amiga
Semeia
trabalha no escuro
difundindo o embrião
da luz que te rodeia

Semeia, amiga
Semeia
ensina como quiseres
o erro te foge à orbita:
és puro amor

Guarda no semblante
a leveza da semente
que cai onde Deus quiser
(seja fecundo o terreno
ou infértil a terra)

E desabrocha, amiga
qual luz que vive
para servir a todos,
sem distinção

Como a Lua, que no alto vive
a clarear as sendas escuras
das almas em solidão

Semeia, amiga
Semeia
o tempo é teu amigo
e dele, és o veículo
és a semente
então, semeia.

23/04/2007.

18.4.07

Mares e tempestades

Sempre a navegar
oceanos de alegria
e mares de euforia
vai a alma

No seu lento propulsar
escorrem os anos
e, mesmo assim, vamos
sempre a navegar

Trovoadas e tempestades
A balbúrdia das águas
traz o que nos falta:
a solidez da vontade

Evitar o naufrágio,
manter-se atento...
(e flexível)
Chacoalha o chão liquefeito:
é a tormenta

O equilíbrio fica acima
na cabine de controle:
Enfrenta a onda terrível
embora, na escuridão
essa lhe seja invisível

Mas, toda a tempestade
por tenaz que se mostre,
por violenta que se desdobre
ao fim há de chegar

Flexibilidade e solidez
Receita de sobrevivência
Nesses mares bravios
da existência...

Onde nosso chão
só é suporte se flutuarmos,
em concordância cambiante,
com sua imprevisível dinâmica.

É preciso, pois, espraiar-se
com fé e esperança
Ser digno, ao equilibrar-se,
Do ensino que balança
(Mas que respeita)
o nosso navegar.

18/04/2007.

14.4.07

Café e Poesia

Café e poesia,
etc., etc.
e muita filosofia.

Um pouco de astrologia
enfatiza este encontro
dá um "toque" de magia.

Sorrisos, confidências,
mais um café
e tantas "coincidências".

Outro telefonema, mas
nova poesia
nos prende ao tema.

Mais um momento
de meia hora
que dura um tempo...

você foi embora,
deixou-me desperta
e agora?...

Agora, eletrizada
vago sem direção
na ampla imensidão
da poesia ainda exilada

Abro as portas emperradas
Para que ela, gentil
Renove, em estado febril
O vigor que emana das palavras

Mas, que nada!
É um mero capricho,
Um primeiro cochicho
De uma estrofe ainda guardada

Ah, mas café e poesia
É terreno de amizade
Onde nem a tempestade
Varre sua magia

Se o despertar
Preciso e aviltado
Conciso e consternado
Me priva o descansar

Basta despejar
Em versos simples
(Sem quaisquer requintes)
Tudo aquilo que é canção
E fala ao coração
Mas... sem pestanejar

Pois a poesia convida
Por meios confusos
Ao profundo conúbio
Com a beleza da Vida.

Basta se entregar.

(Produto de uma joint-venture poética com minha poetisa favorita Ana Carolina Medeiros Assed, assinada com duas xícaras de café uma bisnaguinha com requeijão - 14/04/2007).

2.4.07

Poesia atrofiada

Poesia ofegante
esfalfada ao escalar
os degraus delirantes
com destino estelar

Poesia material
que se desmancha no ar
como sólido pesar
pela distância irreal

Poesia em desconforto
a prosa lhe domina
o terreno um pouco torto
dos sentimentos que abomina

Poesia em assembléia
com a serenidade a presidir
a agitação fica na platéia
a calmaria se faz ouvir

Poesia em retorno
vinda de longa jornada
saúda a magia no contorno
de suas estrofes engajadas.

28/02/2007 - de volta de uma delongada hibernação nos aposentos áridos da ciência econômica.