A vida é cheia de amargor
sumamente inquestionável
sempre correta na dor
tripudia, implacável
No transcorrer diário
no vaivém dos medos
as ameaças ensaiam
a ubiquidade do receio
A condição humana se traja
com dualidade alternante,
o bem e o mal embaralha:
faz-se a confusão ultrajante
O coração se estica
com carência infame
da palavra amiga
que se vai distante
Pode ser um sorriso,
uma mão no ombro,
um conselho amigo,
ou o dividir de um sonho
Ser doce não é ser fraco
tampouco é covardia
é o frouxo nó do laço
que nos une em alegria
Doçura com verdade
corrige nossas mentiras
e repara a insinceridade
que sempre nos castiga
É ser a poesia em ato
(qual descanso na loucura)
é fazer do amor um retrato
no instante breve da ternura
E se a vontade um dia bater,
em meio às urgências da raiva,
de entregar-se ao maldizer
para que a angústia se distraia
Ajoelhe-se com toda a calma,
e suplique ao céus com intenção
que do lodaçal que vai na alma
brote a rosa doce da inspiração
Doçura gera gentileza
que alimenta a paz...
transforma a vida inteira
na água que satisfaz.
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