26.6.06

Ao meu amigo

Esperei aquele pedido
A palavra não veio
o que dói em meu amigo?
De onde vem tamanho anseio?

Caminho só
Sou uno
mas parte do nó
da amizade sem fundo

Se há uma dor
corro a seu socorro
não lhe meço o amor
de silêncio é meu decoro

Minha porta se mantém
como melhor lhe aprouver
Fechada... se você não vem
aberta, quando algo lhe trouxer

Pode ser uma mágoa
uma lástima qualquer
uma alegria que naufraga
no abandono de sua fé

A amizade que lhe dou
prescinde de etiqueta
é ave que alça vôo
e lá no alto se sustenta

Quando lhe faltar o ar
(que se faz rarefeito ao subir)
fique certo de que estou a lhe ancorar
mesmo que não consiga ouvir
Basta chamar...

(Aos amigos calados, 25 de junho de 2006).

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