Poesia é profissão
tem algo de arqueologia
Uma escavação fortuita
sem direção certa
Mas com sentido único:
a profundidade.
Desce, ágil
e vai ao âmago
com força gentil:
acende o pavio...
Para a remoção
da camada árida que se amontoa
sobre a pobre alma
e que a faz servil
De uma felicidade que nunca chega
A palavra entra
Ilumina os sentimentos
com seus singelos trejeitos
Caridosa precisão
que se adequa
à fechadura do coração...
E o deixa ali... aberto
escancarado
Como que invadido
por um aroma semântico:
dá água na boca...
Fome de vida, de amor
O banquete do mundo,
sempre presente,
convida, fecundo.
A palavra contorna
perfura e dilui
o granito das dores do homem
resgata o fóssil da ternura
para lecionar a paz:
Pela angústia, para purificar
Pela astúcia, dizendo o que se quer negar.
08/04/2007
Um comentário:
oi dé! que belíssima descrição de um trabalho super árduo, certo? dá até água-na-boca! queria realmente poder usufruir desses espasmos de prazer, mas deixo isso para aqueles que têm poder para tanto!
um grande beijo e muita paz para você!
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