28.3.08

Discência

Bate o sino
A realidade palpita
Arvorada em maldição
Promovendo a arruaça
Dentro do meu descanso

Pude aprender
Lições esparsas e,
Por força do interesse,
Me deixei levar:
Dominado que fui
Pela força cavalar
De minha consciência
Ainda inerme.

Olho para o futuro
E a incerteza desenlaça
O medo que albergo
No arremate de minhas
Céleres e impetuosas fantasias

Discernir entre ação e plano,
Presente e porvir...
No mata-borrão dos pensamentos
O pincel das emoções trafega:
Solto e desgovernado
Misturando presente,
Futuro e passado.

Na uniformidade confusa
Das cores homogêneas,
Enceto o depurar cauteloso
À procura dos tons primários
Que me formam o ser.

Apenas ali,
Na origem funda
Da indivisa solidão...
Recobro minha discência
E o caminhar tão meu
Que, ao longo do caminho, se perdeu.


São Paulo, 27/03/2008

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