A pobreza de visão
é dura e fala alto
pela necessidade de precisão
na liberdade de ser incauto
Atenção adiante
Não há placas nem sinais
O farol adormecido torna errante
a busca pelos prazeres comensais
Dos olhos escorrem promessas
Mostruário de confortos almejados
Cada qual em si cancela
a realidade repleta de enfado
A beleza se cansa
e pede em profunda melancolia
que releve o tempo que avança
e abandona a estética à nostalgia
(Para Arielle e David e seus fardos de cobranças e ofertas afetivas - concebida em 13/02/2006)
Um comentário:
Ao contrário, querida e assídua visitante e amiga. Esse poema expressa a tristeza de nossa sociedade que aplica a ortodoxia da estética. Quando Vinicius de Moraes disse "as feias que me perdoem, mas beleza é essencial", o significado de "beleza" abrange territórios muito mais vastos do que aqueles da estética corporal e facial. A melancolia esteja presente talvez ao reconhecermos esse comportamento no mundo em que vivemos.
Mas tá bom, tentarei ser mais flutuante, como as espumas de Castro Alves.
Beijos
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