18.5.06

Perdão à estética

A pobreza de visão
é dura e fala alto
pela necessidade de precisão
na liberdade de ser incauto

Atenção adiante
Não há placas nem sinais
O farol adormecido torna errante
a busca pelos prazeres comensais

Dos olhos escorrem promessas
Mostruário de confortos almejados
Cada qual em si cancela
a realidade repleta de enfado

A beleza se cansa
e pede em profunda melancolia
que releve o tempo que avança
e abandona a estética à nostalgia

(Para Arielle e David e seus fardos de cobranças e ofertas afetivas - concebida em 13/02/2006)

Um comentário:

André Roncaglia disse...

Ao contrário, querida e assídua visitante e amiga. Esse poema expressa a tristeza de nossa sociedade que aplica a ortodoxia da estética. Quando Vinicius de Moraes disse "as feias que me perdoem, mas beleza é essencial", o significado de "beleza" abrange territórios muito mais vastos do que aqueles da estética corporal e facial. A melancolia esteja presente talvez ao reconhecermos esse comportamento no mundo em que vivemos.

Mas tá bom, tentarei ser mais flutuante, como as espumas de Castro Alves.

Beijos