11.1.08

O inimigo invisível (o bem e o mal)

Sente a dor
Doma o ódio
Refaz-se o ser

Os caminhos se abrem
Os pés, descalços,
Sangram no avançar

A peleja é intensa,
Pretensa e sutil
Esconde-se, dissimulada

Inimigos vestidos como amigos
Parasitas que embebem o verbo
Na calda adocicada da sedução

Operam num mundo à parte
Repleto de motivos segundos
Que persistem ocultos

Cobram a consideração
Como alicerce de execução
Do plano obscuro

A ingenuidade, aguerrida,
Insiste na lide:
Esperançosa

Mas a maldade
(por inconsciente que seja)
não se compadece:
fustiga, desafia,
tortura e açoita

Mal sabe o mal
Que a diferença
Não é de natureza
É mera questão de grau

O bem prevalece...
Pisado, escarnecido
Vilipendiado
Qual degrau humilde
Que descende
Para servir de apoio
A quem busca
O alto, em desespero
Para fruir aquilo
Que antes era desprezado:
A paz.

O bem não faz oposição
Submete-se
Num didatismo consciente
E resistente

Abdica da vitória imediata
Ilustrando, complacente,
O caminho da eterna derrota

É feito a água
Que a tudo obedece
Mas não pode ser vencida
Respeita as impermeabilidades
E sorri das antipatias,
Correndo no seio de quem a convida

Fluidez solidária
Gregária
Cuja perseverança dobra
Até a dureza das pedras

Com palavra repetida
Vai removendo os excessos,
Começando por fora,
Polindo o ser, calmamente
Até acessar o centro
De sua existência
Onde mora a vida.

O mal combate o bem
Por lhe invejar
O adiantamento
Rebela-se, engenhoso,
Contra a distância inapelável
Na busca de atalhos
Para a alma

Termina por esgueirar-se,
Cego de toda orientação,
Por trilhas circulares
Que só cansam
E não fazem avançar.

(São Paulo – 04/01/2008).

Nenhum comentário: