10.4.06

A poetisa e o mundo

Suspirei aflita
Era o dia que começava
Na bagagem escondida
Meus sonhos eu guardava

Escondo do mundo meus pedidos
Pois não encontro nele
Uma mão ou um olhar amigo
Guardo meu mundo aqui
Na minha poesia, só minha
Somos unidade: ninguém há de partir

Escrevo sobre o papel
Mas parece que sou eu quem é escrita
Tingida, reticente... torre de babel
Pois são tantas que me sussurram
Diferentes sensações: idiomas do coração
Todas falam o esperanto da alma: a poesia

E nela me uno a Deus
Numa escalada respeitosa:
Alegria Dele para com os seus

E de lá do alto de mim
Mergulho de volta ao mundo,
Agora não mais meu

Se me calo, é por amor
Não por desdém, e oculto
O dissabor que levo no peito
Por viver em meio ao insulto
Do mundo que vai por aí
E se coloca no lugar de meus passos...

Meu andar é acidente:
É um conflito recorrente
Entre as leis da natureza
E as dimensões de mim mesma

Então me afasto
E com palavras sutis
Vou recitando baixinho
Numa cadência mais suave
O meu avanço, ainda sozinho

(Em homenagem à poetisa escondida que lotta nossa existência masculina com palavras de esperança e carinho – São Paulo, 09/04/2006).

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