Enquadraram o amor
Deram-lhe a moldura cara
Encheram-no de interpretações
racionais, científicas
atribuíram-lhe sentido,
intenção, significado
depois, penduraram-no na parede
uma decoração pomposa.
Para as visitas que passam,
(assim, rapidamente)
Admirarem o que, de mim,
nunca receberão
Pois é meu, minha obra-prima.
Em verdade, encontrei-o já na casa
em que nasci
mas ele estava feio, simplório
à flor da pele.
Lembrei do progresso inadiável
sofistiquei-o sob minha propriedade.
É bem certo que, antes
Ninguém queria tomá-lo de mim.
Deitava e rolava sobre ele,
despreocupado.
Um dia me disseram
que ele valia muito
Escassez de mercado,
quebra de safra
resolvi fazer provisões
amedrontadas,
desconfiadas.
Agora, ninguém o alcança lá no alto...
nem eu.
(São Paulo – 23/08/2007)
Pacatos poemas de quem sente mais do que entende. Coloco aqui aquelas expressões mais espontâneas da minha relação com o mundo. Os poemas são péssimos, eu bem o sei! Mas quem sabe não haja algum que lhe fale algo? Não tenha expectativas: não há lugar para isso nesse ambiente. Leia, simplesmente. Se não houver sentido é porque você está no caminho certo. Siga em frente... a vida nos aguarda.
15.6.08
4.5.08
Susto Inclemente
Para Amanda
Acordei e você havia partido
revirei meus sentimentos
e não encontrei qualquer alívio
ficamos sós, no compartimento
(tão calado, tão sentido)
da perplexidade que em nós se arrima.
Procuro nos braços e nos ouvidos outros
A carícia que nunca mais virá de suas mãos...
O conselho sábio na hora
Em que a vida me diz “não”.
Transito a esmo, seguindo a vontade
De quem me quer bem
e não vejo destino qualquer...
nem a paz que me convém.
O tom acinzentado dos meus dias
me remete à sua presença:
fico presa à idéia sufocante
de sua ausência.
Ouço palavras, reparo em gestos,
Respondo, sorrio, choro...
Mas, minha dor, eu não empresto:
é minha benção, parte do meu trajeto,
a senda estreita em meu caminho;
o espinho a proteger a flor da sabedoria
que a vida me fez portar.
Se nem tudo são pétalas de rosa,
Transformo a tristeza em poesia...
não em verso ou em prosa
mas no amor que guardo à vida.
São Paulo, 28/03/2008.
Acordei e você havia partido
revirei meus sentimentos
e não encontrei qualquer alívio
ficamos sós, no compartimento
(tão calado, tão sentido)
da perplexidade que em nós se arrima.
Procuro nos braços e nos ouvidos outros
A carícia que nunca mais virá de suas mãos...
O conselho sábio na hora
Em que a vida me diz “não”.
Transito a esmo, seguindo a vontade
De quem me quer bem
e não vejo destino qualquer...
nem a paz que me convém.
O tom acinzentado dos meus dias
me remete à sua presença:
fico presa à idéia sufocante
de sua ausência.
Ouço palavras, reparo em gestos,
Respondo, sorrio, choro...
Mas, minha dor, eu não empresto:
é minha benção, parte do meu trajeto,
a senda estreita em meu caminho;
o espinho a proteger a flor da sabedoria
que a vida me fez portar.
Se nem tudo são pétalas de rosa,
Transformo a tristeza em poesia...
não em verso ou em prosa
mas no amor que guardo à vida.
São Paulo, 28/03/2008.
28.3.08
Haikai
A alma opressa
Vaga na solidão:
A culpa vai sem pressa
Na trilha do perdão.
São Paulo, 18/03/2008
Vaga na solidão:
A culpa vai sem pressa
Na trilha do perdão.
São Paulo, 18/03/2008
Sacerdócio
O Santo volta,
bate perna,
e dá por norma,
sob a cruz que carrega,
que Deus vigora...
mas a Lei não pega.
São Paulo, 18/03/2008
bate perna,
e dá por norma,
sob a cruz que carrega,
que Deus vigora...
mas a Lei não pega.
São Paulo, 18/03/2008
Discência
Bate o sino
A realidade palpita
Arvorada em maldição
Promovendo a arruaça
Dentro do meu descanso
Pude aprender
Lições esparsas e,
Por força do interesse,
Me deixei levar:
Dominado que fui
Pela força cavalar
De minha consciência
Ainda inerme.
Olho para o futuro
E a incerteza desenlaça
O medo que albergo
No arremate de minhas
Céleres e impetuosas fantasias
Discernir entre ação e plano,
Presente e porvir...
No mata-borrão dos pensamentos
O pincel das emoções trafega:
Solto e desgovernado
Misturando presente,
Futuro e passado.
Na uniformidade confusa
Das cores homogêneas,
Enceto o depurar cauteloso
À procura dos tons primários
Que me formam o ser.
Apenas ali,
Na origem funda
Da indivisa solidão...
Recobro minha discência
E o caminhar tão meu
Que, ao longo do caminho, se perdeu.
São Paulo, 27/03/2008
A realidade palpita
Arvorada em maldição
Promovendo a arruaça
Dentro do meu descanso
Pude aprender
Lições esparsas e,
Por força do interesse,
Me deixei levar:
Dominado que fui
Pela força cavalar
De minha consciência
Ainda inerme.
Olho para o futuro
E a incerteza desenlaça
O medo que albergo
No arremate de minhas
Céleres e impetuosas fantasias
Discernir entre ação e plano,
Presente e porvir...
No mata-borrão dos pensamentos
O pincel das emoções trafega:
Solto e desgovernado
Misturando presente,
Futuro e passado.
Na uniformidade confusa
Das cores homogêneas,
Enceto o depurar cauteloso
À procura dos tons primários
Que me formam o ser.
Apenas ali,
Na origem funda
Da indivisa solidão...
Recobro minha discência
E o caminhar tão meu
Que, ao longo do caminho, se perdeu.
São Paulo, 27/03/2008
20.3.08
Bússola da existência
Dentro de mim
descubro o que serei,
vasculho os cantos do que sinto
e me admiro dos sonhos
e da vontade de ser
aquilo que já sou
(mas ainda não logro ver )
O gênio é exceção
não por privilégio
de uma difusão iníqua
de escassos e divinos sortilégios
Genialidade é olhar para si
encontrar a bússola de sua existência
servindo aos propósitos maiores
com humilde obediência
Não é se destacar,
como pôr-se em evidência
é desacoplar-se da trilha
que ruma à conveniência
(que de si faz a convenção)
O gênio encontra em si
um mapa, um roteiro de vida
que se lhe abre lentamente
na medida de seu avanço
e de seu merecimento..
São Paulo, 19/03/2008
descubro o que serei,
vasculho os cantos do que sinto
e me admiro dos sonhos
e da vontade de ser
aquilo que já sou
(mas ainda não logro ver )
O gênio é exceção
não por privilégio
de uma difusão iníqua
de escassos e divinos sortilégios
Genialidade é olhar para si
encontrar a bússola de sua existência
servindo aos propósitos maiores
com humilde obediência
Não é se destacar,
como pôr-se em evidência
é desacoplar-se da trilha
que ruma à conveniência
(que de si faz a convenção)
O gênio encontra em si
um mapa, um roteiro de vida
que se lhe abre lentamente
na medida de seu avanço
e de seu merecimento..
São Paulo, 19/03/2008
10.2.08
Leoa de Deus (ou elogio da libertação)
Segue livre o teu caminho:
liberta, como deve ser,
do jugo ignorado
de a mim “pertencer”.
Histeria e exatidão
motivam e perpassam
o movimento descontrolado
de um animal enjaulado
na busca da emancipação.
Perdôo-te a insensatez
por carecer da desrazão
dos valores rasos,
aconchegados no orgulho
e na ambição.
Meu espírito te ressuscita
com voto de gratidão
pela peleja de amor
que encetaste até o fim.
Nasce de novo, Leoa de Deus
mostra a tua força
nas cinzas das horas...
abdica dos caminhos que te seduzem.
Firma-te sobre a Pedra
que escolheste para,
harmoniosamente,
erigir a igreja de tua vida,
de teu amor.
Deixa o passado
para o presente de teus atos
agindo silenciosamente,
assimilado...
Fecho a porta do pretérito
e enegreço o retrovisor
para oferecer-te o contraste
dentre as formas futuras que,
no horizonte,
adquirem seus contornos.
Arquivo o que já se foi
para, finalmente,
apreciar o teu porvir
despacho o nosso “a dois”
na certeza franca de que o vivi.
(São Paulo – 07/02/2008)
liberta, como deve ser,
do jugo ignorado
de a mim “pertencer”.
Histeria e exatidão
motivam e perpassam
o movimento descontrolado
de um animal enjaulado
na busca da emancipação.
Perdôo-te a insensatez
por carecer da desrazão
dos valores rasos,
aconchegados no orgulho
e na ambição.
Meu espírito te ressuscita
com voto de gratidão
pela peleja de amor
que encetaste até o fim.
Nasce de novo, Leoa de Deus
mostra a tua força
nas cinzas das horas...
abdica dos caminhos que te seduzem.
Firma-te sobre a Pedra
que escolheste para,
harmoniosamente,
erigir a igreja de tua vida,
de teu amor.
Deixa o passado
para o presente de teus atos
agindo silenciosamente,
assimilado...
Fecho a porta do pretérito
e enegreço o retrovisor
para oferecer-te o contraste
dentre as formas futuras que,
no horizonte,
adquirem seus contornos.
Arquivo o que já se foi
para, finalmente,
apreciar o teu porvir
despacho o nosso “a dois”
na certeza franca de que o vivi.
(São Paulo – 07/02/2008)
22.1.08
O mar e a areia
Simplicidade...
O mar segue a sua rotina
A areia solidária lhe recebe: dissoluta...
Insistem numa eterna reconciliação:
o encontro e o adeus.
Despedem-se para se reencontrar,
e deixam que o outro guarde sempre
um pouquinho de si...
memória real e presente
Fábula que ensina
pela presteza com que serve
ao anseio de ternura.
O mar e a areia:
O lençol contínuo que une os grãos
(tão juntos, mas de laços tão fracos)
como o amor faz com a aridez
repulsiva do homem
para com ele mesmo.
(São Paulo – 20/06/2007)
O mar segue a sua rotina
A areia solidária lhe recebe: dissoluta...
Insistem numa eterna reconciliação:
o encontro e o adeus.
Despedem-se para se reencontrar,
e deixam que o outro guarde sempre
um pouquinho de si...
memória real e presente
Fábula que ensina
pela presteza com que serve
ao anseio de ternura.
O mar e a areia:
O lençol contínuo que une os grãos
(tão juntos, mas de laços tão fracos)
como o amor faz com a aridez
repulsiva do homem
para com ele mesmo.
(São Paulo – 20/06/2007)
11.1.08
O inimigo invisível (o bem e o mal)
Sente a dor
Doma o ódio
Refaz-se o ser
Os caminhos se abrem
Os pés, descalços,
Sangram no avançar
A peleja é intensa,
Pretensa e sutil
Esconde-se, dissimulada
Inimigos vestidos como amigos
Parasitas que embebem o verbo
Na calda adocicada da sedução
Operam num mundo à parte
Repleto de motivos segundos
Que persistem ocultos
Cobram a consideração
Como alicerce de execução
Do plano obscuro
A ingenuidade, aguerrida,
Insiste na lide:
Esperançosa
Mas a maldade
(por inconsciente que seja)
não se compadece:
fustiga, desafia,
tortura e açoita
Mal sabe o mal
Que a diferença
Não é de natureza
É mera questão de grau
O bem prevalece...
Pisado, escarnecido
Vilipendiado
Qual degrau humilde
Que descende
Para servir de apoio
A quem busca
O alto, em desespero
Para fruir aquilo
Que antes era desprezado:
A paz.
O bem não faz oposição
Submete-se
Num didatismo consciente
E resistente
Abdica da vitória imediata
Ilustrando, complacente,
O caminho da eterna derrota
É feito a água
Que a tudo obedece
Mas não pode ser vencida
Respeita as impermeabilidades
E sorri das antipatias,
Correndo no seio de quem a convida
Fluidez solidária
Gregária
Cuja perseverança dobra
Até a dureza das pedras
Com palavra repetida
Vai removendo os excessos,
Começando por fora,
Polindo o ser, calmamente
Até acessar o centro
De sua existência
Onde mora a vida.
O mal combate o bem
Por lhe invejar
O adiantamento
Rebela-se, engenhoso,
Contra a distância inapelável
Na busca de atalhos
Para a alma
Termina por esgueirar-se,
Cego de toda orientação,
Por trilhas circulares
Que só cansam
E não fazem avançar.
(São Paulo – 04/01/2008).
Doma o ódio
Refaz-se o ser
Os caminhos se abrem
Os pés, descalços,
Sangram no avançar
A peleja é intensa,
Pretensa e sutil
Esconde-se, dissimulada
Inimigos vestidos como amigos
Parasitas que embebem o verbo
Na calda adocicada da sedução
Operam num mundo à parte
Repleto de motivos segundos
Que persistem ocultos
Cobram a consideração
Como alicerce de execução
Do plano obscuro
A ingenuidade, aguerrida,
Insiste na lide:
Esperançosa
Mas a maldade
(por inconsciente que seja)
não se compadece:
fustiga, desafia,
tortura e açoita
Mal sabe o mal
Que a diferença
Não é de natureza
É mera questão de grau
O bem prevalece...
Pisado, escarnecido
Vilipendiado
Qual degrau humilde
Que descende
Para servir de apoio
A quem busca
O alto, em desespero
Para fruir aquilo
Que antes era desprezado:
A paz.
O bem não faz oposição
Submete-se
Num didatismo consciente
E resistente
Abdica da vitória imediata
Ilustrando, complacente,
O caminho da eterna derrota
É feito a água
Que a tudo obedece
Mas não pode ser vencida
Respeita as impermeabilidades
E sorri das antipatias,
Correndo no seio de quem a convida
Fluidez solidária
Gregária
Cuja perseverança dobra
Até a dureza das pedras
Com palavra repetida
Vai removendo os excessos,
Começando por fora,
Polindo o ser, calmamente
Até acessar o centro
De sua existência
Onde mora a vida.
O mal combate o bem
Por lhe invejar
O adiantamento
Rebela-se, engenhoso,
Contra a distância inapelável
Na busca de atalhos
Para a alma
Termina por esgueirar-se,
Cego de toda orientação,
Por trilhas circulares
Que só cansam
E não fazem avançar.
(São Paulo – 04/01/2008).
Desapontamento
Roguei aos céus
As bênçãos de uma vida completa
Prosperidade em cada momento
Fartura para qualquer sentimento
Quis o melhor pra mim
Pedi pelo sol
Mas recebi a chuva
Queria a alegria,
A dor e a desdita
Vieram me visitar
Insisti em pensar na vida
Como uma seqüência delongada
De risos e satisfações
Alternada com pequenas invasões
De filetes de pensamento:
Inconstantes como o mar revolto
Cujas ondas se entretecem
Numa lógica superior
Ah! Meus pensamentos!
Crianças endiabradas
Gritando por atenção
Debatendo-se entre si
Por um bafejo de concretização
O sonho máximo:
A verbalização.
O passaporte é a inspiração
E como é pedante viver sem ela!
Busco-a nos recantos mais insólitos,
Nas estéticas mais exóticas,
Em ações singelas que me traduzam
O sentido verdadeiro do viver.
Viver
Um campo aberto
Onde cada qual olha
Aquilo que lhe convém
Seja um capricho
Ou um entusiástico Amém!
(Comunidade do Marujá – Ilha do Cardoso – SP/PR – 02/01/2008)
As bênçãos de uma vida completa
Prosperidade em cada momento
Fartura para qualquer sentimento
Quis o melhor pra mim
Pedi pelo sol
Mas recebi a chuva
Queria a alegria,
A dor e a desdita
Vieram me visitar
Insisti em pensar na vida
Como uma seqüência delongada
De risos e satisfações
Alternada com pequenas invasões
De filetes de pensamento:
Inconstantes como o mar revolto
Cujas ondas se entretecem
Numa lógica superior
Ah! Meus pensamentos!
Crianças endiabradas
Gritando por atenção
Debatendo-se entre si
Por um bafejo de concretização
O sonho máximo:
A verbalização.
O passaporte é a inspiração
E como é pedante viver sem ela!
Busco-a nos recantos mais insólitos,
Nas estéticas mais exóticas,
Em ações singelas que me traduzam
O sentido verdadeiro do viver.
Viver
Um campo aberto
Onde cada qual olha
Aquilo que lhe convém
Seja um capricho
Ou um entusiástico Amém!
(Comunidade do Marujá – Ilha do Cardoso – SP/PR – 02/01/2008)
Ano Novo
Fim de ano
Desfecho de um ciclo
O sopro derradeiro de um impulso
Carinhosamente cultivado:
A paz interna.
Dilemas, contradições
Aversões e insistências
Prédicas tão implícitas,
Muitas vezes esquecidas,
Exaltam-se descontroladas
Pelas sendas estreitas
das contrariedades cotidianas
É tempo de olhar para dentro;
De acender um incenso
De aprender que a vida se estende
Para além do que os olhos vêem
De amar sem medo
Mesmo que com cautela
É tarefa árdua o fechamento
De etapa qualquer
As revisões são necessárias
A nervura de nossa acanhada
Compreensão, exposta, pulsante,
Impõe a expansão compulsória
Do entendimento...
Seu veículo: a dor.
Sofrimento calado e intenso
Reverbera dentro das entranhas
De nossa individualidade
(espessa e impermeável
à mudança)
E nos expulsa do conforto
Inebriante da estagnação.
O sorriso que emancipa
E resolve uma negação qualquer
O grito estentórico represado
Que, por uma ínfima rachadura,
Faz verter o rio caudaloso
De nossas mágoas mais profundas
Pode ser uma gargalhada
Ou uma leve sensação de
Prosperidade
Um olhar de soslaio que se desdobra
Na mais linda imagem do amor.
Tanto faz, é bem verdade
Se é uma tempestade
Ou um incansável dia de sol
Os opostos convivem
Sequenciam-se em respeito mútuo
Às vezes, sobrepõem-se
Como a tristeza que ebule
Em lágrimas camufladas de alegria
E o riso desenfreado que oculta
A devastação do ser.
O fechamento exacerba
O movimento de mudança:
Constipa algumas respirações
Emancipa outros pensares
Escraviza novos desejos
Destrói, desconstrói
Demole e erige
As estruturas perecíveis
De nosso viver
Num incessante ciclo
De aprimoramento e educação
De nossos sentimentos...
Enfim, de nosso olhar.
Que venha, então, o Ano Novo,
Nascendo já maduro
Em relação ao velho.
(Comunidade do Marujá – Ilha do Cardoso – SP/PR – 30/12/2007)
Desfecho de um ciclo
O sopro derradeiro de um impulso
Carinhosamente cultivado:
A paz interna.
Dilemas, contradições
Aversões e insistências
Prédicas tão implícitas,
Muitas vezes esquecidas,
Exaltam-se descontroladas
Pelas sendas estreitas
das contrariedades cotidianas
É tempo de olhar para dentro;
De acender um incenso
De aprender que a vida se estende
Para além do que os olhos vêem
De amar sem medo
Mesmo que com cautela
É tarefa árdua o fechamento
De etapa qualquer
As revisões são necessárias
A nervura de nossa acanhada
Compreensão, exposta, pulsante,
Impõe a expansão compulsória
Do entendimento...
Seu veículo: a dor.
Sofrimento calado e intenso
Reverbera dentro das entranhas
De nossa individualidade
(espessa e impermeável
à mudança)
E nos expulsa do conforto
Inebriante da estagnação.
O sorriso que emancipa
E resolve uma negação qualquer
O grito estentórico represado
Que, por uma ínfima rachadura,
Faz verter o rio caudaloso
De nossas mágoas mais profundas
Pode ser uma gargalhada
Ou uma leve sensação de
Prosperidade
Um olhar de soslaio que se desdobra
Na mais linda imagem do amor.
Tanto faz, é bem verdade
Se é uma tempestade
Ou um incansável dia de sol
Os opostos convivem
Sequenciam-se em respeito mútuo
Às vezes, sobrepõem-se
Como a tristeza que ebule
Em lágrimas camufladas de alegria
E o riso desenfreado que oculta
A devastação do ser.
O fechamento exacerba
O movimento de mudança:
Constipa algumas respirações
Emancipa outros pensares
Escraviza novos desejos
Destrói, desconstrói
Demole e erige
As estruturas perecíveis
De nosso viver
Num incessante ciclo
De aprimoramento e educação
De nossos sentimentos...
Enfim, de nosso olhar.
Que venha, então, o Ano Novo,
Nascendo já maduro
Em relação ao velho.
(Comunidade do Marujá – Ilha do Cardoso – SP/PR – 30/12/2007)
30.9.07
Poesia e Sintonia
Ao Manoel
Meus poemas são uma forma
de expressar aquilo que não raciocino,
que não filtro;
enfim, a mão correndo solta,
obedecendo à cadência da alma.
Peço que não analise meus poemas.
A poesia destrinchada é qual revista pornográfica:
generaliza o que é uma experiência individual
sob a tirania da estética orquestrada e construída,
ofuscando a beleza pura, intransferível, da poesia vivida.
A idéia da poesia, quando lida, não é ser entendida,
mas compreendida.
A compreensão transcende
qualquer organização racional, conceitual;
ela é intuitiva, difusa, serena.
Se nenhuma de minhas poesias lhe falar ao coração,
seja paciente, nossa sintonia se estabelecerá.
(11/08/2007).
Meus poemas são uma forma
de expressar aquilo que não raciocino,
que não filtro;
enfim, a mão correndo solta,
obedecendo à cadência da alma.
Peço que não analise meus poemas.
A poesia destrinchada é qual revista pornográfica:
generaliza o que é uma experiência individual
sob a tirania da estética orquestrada e construída,
ofuscando a beleza pura, intransferível, da poesia vivida.
A idéia da poesia, quando lida, não é ser entendida,
mas compreendida.
A compreensão transcende
qualquer organização racional, conceitual;
ela é intuitiva, difusa, serena.
Se nenhuma de minhas poesias lhe falar ao coração,
seja paciente, nossa sintonia se estabelecerá.
(11/08/2007).
12.9.07
Aprendizado
Uma palavra
uma atenção
receita da conversa
que se estende ao infinito
Não vale saber tudo
isso deixa o papo duro
travado
conseqüência da excessiva sapiência
(ou prepotência...)
Basta o "desejar saber"
saber o que não se sabe
na forma que não se sabe
desde uma rima,
a um conhecimento que se nos abre
Saber...
é o fermento que dá consistência
a esse bolo da experiência
que, como flor, cresce
e se infla, impetuoso
delicioso.
E, então, ficamos a digerir,
mastigando as sensações vividas
o prazer de saber um pouquinho mais:
seja sobre a vida, sobre a dor
sobre o pássaro no céu
sobre fazer sorrir, e até chorar.
O estudo prepara
(não nos esqueçamos)
para o aprendizado difuso
que vive solto no mundo.
(São Paulo - 06/09/2007).
uma atenção
receita da conversa
que se estende ao infinito
Não vale saber tudo
isso deixa o papo duro
travado
conseqüência da excessiva sapiência
(ou prepotência...)
Basta o "desejar saber"
saber o que não se sabe
na forma que não se sabe
desde uma rima,
a um conhecimento que se nos abre
Saber...
é o fermento que dá consistência
a esse bolo da experiência
que, como flor, cresce
e se infla, impetuoso
delicioso.
E, então, ficamos a digerir,
mastigando as sensações vividas
o prazer de saber um pouquinho mais:
seja sobre a vida, sobre a dor
sobre o pássaro no céu
sobre fazer sorrir, e até chorar.
O estudo prepara
(não nos esqueçamos)
para o aprendizado difuso
que vive solto no mundo.
(São Paulo - 06/09/2007).
28.6.07
Louvor
Destroços
Portinholas
São sonhos mil
Uma avassaladora compressão
Que me toma a alma.
Sem valor é o dia
Tudo que é sólido perde seu conteúdo
Pois perto Estás
Sois Vós, meu Senhor,
Magnânimo, misericordioso
Me entrego a esses adjetivos
Por me faltarem os recursos
Da fala e do espírito para Te refletirem.
E quando sinto sua presença
Fico pulverizado, completamente rarefeito
Meu “eu” se perde
E me prontifico a amar.
(São Paulo, 20/06/2007)
Portinholas
São sonhos mil
Uma avassaladora compressão
Que me toma a alma.
Sem valor é o dia
Tudo que é sólido perde seu conteúdo
Pois perto Estás
Sois Vós, meu Senhor,
Magnânimo, misericordioso
Me entrego a esses adjetivos
Por me faltarem os recursos
Da fala e do espírito para Te refletirem.
E quando sinto sua presença
Fico pulverizado, completamente rarefeito
Meu “eu” se perde
E me prontifico a amar.
(São Paulo, 20/06/2007)
10.5.07
Exegeta da palavra
Poesia é profissão
tem algo de arqueologia
Uma escavação fortuita
sem direção certa
Mas com sentido único:
a profundidade.
Desce, ágil
e vai ao âmago
com força gentil:
acende o pavio...
Para a remoção
da camada árida que se amontoa
sobre a pobre alma
e que a faz servil
De uma felicidade que nunca chega
A palavra entra
Ilumina os sentimentos
com seus singelos trejeitos
Caridosa precisão
que se adequa
à fechadura do coração...
E o deixa ali... aberto
escancarado
Como que invadido
por um aroma semântico:
dá água na boca...
Fome de vida, de amor
O banquete do mundo,
sempre presente,
convida, fecundo.
A palavra contorna
perfura e dilui
o granito das dores do homem
resgata o fóssil da ternura
para lecionar a paz:
Pela angústia, para purificar
Pela astúcia, dizendo o que se quer negar.
08/04/2007
tem algo de arqueologia
Uma escavação fortuita
sem direção certa
Mas com sentido único:
a profundidade.
Desce, ágil
e vai ao âmago
com força gentil:
acende o pavio...
Para a remoção
da camada árida que se amontoa
sobre a pobre alma
e que a faz servil
De uma felicidade que nunca chega
A palavra entra
Ilumina os sentimentos
com seus singelos trejeitos
Caridosa precisão
que se adequa
à fechadura do coração...
E o deixa ali... aberto
escancarado
Como que invadido
por um aroma semântico:
dá água na boca...
Fome de vida, de amor
O banquete do mundo,
sempre presente,
convida, fecundo.
A palavra contorna
perfura e dilui
o granito das dores do homem
resgata o fóssil da ternura
para lecionar a paz:
Pela angústia, para purificar
Pela astúcia, dizendo o que se quer negar.
08/04/2007
23.4.07
A Semeadora de Luz
Semeia, amiga
Semeia
joga ao vento
o amor que te norteia
Semeia, amiga
Semeia
faze do mundo
o seu rosal
de flores brancas...
Semeia
Semeia, amiga
Semeia
escolhe o chão
asperge a vida
que carregas
nas mãos
Semeia, amiga
Semeia
trabalha no escuro
difundindo o embrião
da luz que te rodeia
Semeia, amiga
Semeia
ensina como quiseres
o erro te foge à orbita:
és puro amor
Guarda no semblante
a leveza da semente
que cai onde Deus quiser
(seja fecundo o terreno
ou infértil a terra)
E desabrocha, amiga
qual luz que vive
para servir a todos,
sem distinção
Como a Lua, que no alto vive
a clarear as sendas escuras
das almas em solidão
Semeia, amiga
Semeia
o tempo é teu amigo
e dele, és o veículo
és a semente
então, semeia.
23/04/2007.
Semeia
joga ao vento
o amor que te norteia
Semeia, amiga
Semeia
faze do mundo
o seu rosal
de flores brancas...
Semeia
Semeia, amiga
Semeia
escolhe o chão
asperge a vida
que carregas
nas mãos
Semeia, amiga
Semeia
trabalha no escuro
difundindo o embrião
da luz que te rodeia
Semeia, amiga
Semeia
ensina como quiseres
o erro te foge à orbita:
és puro amor
Guarda no semblante
a leveza da semente
que cai onde Deus quiser
(seja fecundo o terreno
ou infértil a terra)
E desabrocha, amiga
qual luz que vive
para servir a todos,
sem distinção
Como a Lua, que no alto vive
a clarear as sendas escuras
das almas em solidão
Semeia, amiga
Semeia
o tempo é teu amigo
e dele, és o veículo
és a semente
então, semeia.
23/04/2007.
18.4.07
Mares e tempestades
Sempre a navegar
oceanos de alegria
e mares de euforia
vai a alma
No seu lento propulsar
escorrem os anos
e, mesmo assim, vamos
sempre a navegar
Trovoadas e tempestades
A balbúrdia das águas
traz o que nos falta:
a solidez da vontade
Evitar o naufrágio,
manter-se atento...
(e flexível)
Chacoalha o chão liquefeito:
é a tormenta
O equilíbrio fica acima
na cabine de controle:
Enfrenta a onda terrível
embora, na escuridão
essa lhe seja invisível
Mas, toda a tempestade
por tenaz que se mostre,
por violenta que se desdobre
ao fim há de chegar
Flexibilidade e solidez
Receita de sobrevivência
Nesses mares bravios
da existência...
Onde nosso chão
só é suporte se flutuarmos,
em concordância cambiante,
com sua imprevisível dinâmica.
É preciso, pois, espraiar-se
com fé e esperança
Ser digno, ao equilibrar-se,
Do ensino que balança
(Mas que respeita)
o nosso navegar.
18/04/2007.
oceanos de alegria
e mares de euforia
vai a alma
No seu lento propulsar
escorrem os anos
e, mesmo assim, vamos
sempre a navegar
Trovoadas e tempestades
A balbúrdia das águas
traz o que nos falta:
a solidez da vontade
Evitar o naufrágio,
manter-se atento...
(e flexível)
Chacoalha o chão liquefeito:
é a tormenta
O equilíbrio fica acima
na cabine de controle:
Enfrenta a onda terrível
embora, na escuridão
essa lhe seja invisível
Mas, toda a tempestade
por tenaz que se mostre,
por violenta que se desdobre
ao fim há de chegar
Flexibilidade e solidez
Receita de sobrevivência
Nesses mares bravios
da existência...
Onde nosso chão
só é suporte se flutuarmos,
em concordância cambiante,
com sua imprevisível dinâmica.
É preciso, pois, espraiar-se
com fé e esperança
Ser digno, ao equilibrar-se,
Do ensino que balança
(Mas que respeita)
o nosso navegar.
18/04/2007.
14.4.07
Café e Poesia
Café e poesia,
etc., etc.
e muita filosofia.
Um pouco de astrologia
enfatiza este encontro
dá um "toque" de magia.
Sorrisos, confidências,
mais um café
e tantas "coincidências".
Outro telefonema, mas
nova poesia
nos prende ao tema.
Mais um momento
de meia hora
que dura um tempo...
você foi embora,
deixou-me desperta
e agora?...
Agora, eletrizada
vago sem direção
na ampla imensidão
da poesia ainda exilada
Abro as portas emperradas
Para que ela, gentil
Renove, em estado febril
O vigor que emana das palavras
Mas, que nada!
É um mero capricho,
Um primeiro cochicho
De uma estrofe ainda guardada
Ah, mas café e poesia
É terreno de amizade
Onde nem a tempestade
Varre sua magia
Se o despertar
Preciso e aviltado
Conciso e consternado
Me priva o descansar
Basta despejar
Em versos simples
(Sem quaisquer requintes)
Tudo aquilo que é canção
E fala ao coração
Mas... sem pestanejar
Pois a poesia convida
Por meios confusos
Ao profundo conúbio
Com a beleza da Vida.
Basta se entregar.
(Produto de uma joint-venture poética com minha poetisa favorita Ana Carolina Medeiros Assed, assinada com duas xícaras de café uma bisnaguinha com requeijão - 14/04/2007).
etc., etc.
e muita filosofia.
Um pouco de astrologia
enfatiza este encontro
dá um "toque" de magia.
Sorrisos, confidências,
mais um café
e tantas "coincidências".
Outro telefonema, mas
nova poesia
nos prende ao tema.
Mais um momento
de meia hora
que dura um tempo...
você foi embora,
deixou-me desperta
e agora?...
Agora, eletrizada
vago sem direção
na ampla imensidão
da poesia ainda exilada
Abro as portas emperradas
Para que ela, gentil
Renove, em estado febril
O vigor que emana das palavras
Mas, que nada!
É um mero capricho,
Um primeiro cochicho
De uma estrofe ainda guardada
Ah, mas café e poesia
É terreno de amizade
Onde nem a tempestade
Varre sua magia
Se o despertar
Preciso e aviltado
Conciso e consternado
Me priva o descansar
Basta despejar
Em versos simples
(Sem quaisquer requintes)
Tudo aquilo que é canção
E fala ao coração
Mas... sem pestanejar
Pois a poesia convida
Por meios confusos
Ao profundo conúbio
Com a beleza da Vida.
Basta se entregar.
(Produto de uma joint-venture poética com minha poetisa favorita Ana Carolina Medeiros Assed, assinada com duas xícaras de café uma bisnaguinha com requeijão - 14/04/2007).
2.4.07
Poesia atrofiada
Poesia ofegante
esfalfada ao escalar
os degraus delirantes
com destino estelar
Poesia material
que se desmancha no ar
como sólido pesar
pela distância irreal
Poesia em desconforto
a prosa lhe domina
o terreno um pouco torto
dos sentimentos que abomina
Poesia em assembléia
com a serenidade a presidir
a agitação fica na platéia
a calmaria se faz ouvir
Poesia em retorno
vinda de longa jornada
saúda a magia no contorno
de suas estrofes engajadas.
28/02/2007 - de volta de uma delongada hibernação nos aposentos áridos da ciência econômica.
esfalfada ao escalar
os degraus delirantes
com destino estelar
Poesia material
que se desmancha no ar
como sólido pesar
pela distância irreal
Poesia em desconforto
a prosa lhe domina
o terreno um pouco torto
dos sentimentos que abomina
Poesia em assembléia
com a serenidade a presidir
a agitação fica na platéia
a calmaria se faz ouvir
Poesia em retorno
vinda de longa jornada
saúda a magia no contorno
de suas estrofes engajadas.
28/02/2007 - de volta de uma delongada hibernação nos aposentos áridos da ciência econômica.
13.11.06
O rio e o olhar
De que vale o passado?
Para a dor e a angústia?
Para ver a repetição que assusta?
Ou a chance de romper, desastrado
a série de desalentos nesfastos?
Saber-se nessa correnteza
Que lhe priva do sabor do arbítrio
é reflexo da alma em franqueza
e do absoluto respeito por si próprio
A esteira não é metáfora da vida
pois que prende e repreende
a liberdade de mudar
num chão de pontas ligadas
em desempenho circular
Não! A vida é um rio
em eterno movimento
uma abundante transformação
num segundo secular
para a melhoria do olhar
(13/11/2006 - para minha amiga que não percebeu que o círculo já se rompeu, foi só o "olhar" que permaneceu inalterado).
Para a dor e a angústia?
Para ver a repetição que assusta?
Ou a chance de romper, desastrado
a série de desalentos nesfastos?
Saber-se nessa correnteza
Que lhe priva do sabor do arbítrio
é reflexo da alma em franqueza
e do absoluto respeito por si próprio
A esteira não é metáfora da vida
pois que prende e repreende
a liberdade de mudar
num chão de pontas ligadas
em desempenho circular
Não! A vida é um rio
em eterno movimento
uma abundante transformação
num segundo secular
para a melhoria do olhar
(13/11/2006 - para minha amiga que não percebeu que o círculo já se rompeu, foi só o "olhar" que permaneceu inalterado).
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